Eu amo o Kin. Da mesma forma que ele me atura, também tenho que aturar alguns de seus defeitos. Mesmo assim não me enjoo dele. Sinto uma necessidade forte de vê-lo feliz, vê-lo desenvolvendo seus dons, aproveitando comigo tudo o que ele não aproveitou da vida até agora. Gosto quando ele diz estar gostando de algo que eu lhe apresentei. Penso em levá-lo a lugares onde ele sonha conhecer. Sinto a necessidade de estar com ele e me preocupar com sua saúde e bem-estar.
Mas meu amor não é tão carente. Posso ficar alguns dias afastada ou sem nos falarmos. Enquanto ele, teve oportunidade de estar na praia o dia todo e voltou por estar com saudade...
Esse amor necessitado e dependente é tão sofrido. Geralmente vemde pessoas que amam mais ao outro que a si mesmo...
Quando cheguei em casa ontem fui dar uma olhada no viveiro das iguanas... olhei três vezes e perguntei pra minha filha:
- Filha, você viu a Happy por aí? Ela não está no viveiro...
- Achei, achei!
- Aonde?
- Ela tá aí na cortina, mãe!
A bichinha tava pendurada pela axila no prego onde penduro (provisoriamente que ficou permanente) a cortina (que na verdade é um lençol). Peguei uma toalha e a fiz descer. Estava gelada, nem sei quanto tempo ficou ali. A devolvi pro seu lar ainda tremendo... aquele bicho é lindo, mas dá umas rabadas que dóem... na verdade dói mais o susto que ela me dá, mas eu sou meio medrosa...
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O Kin saiu ontem pra pescar lá em Santos junto com seu sobrinho. Imaginei que ele fosse voltar só hoje a noite...
Rsrsrsrs... ele voltou antes de eu sair de casa pra trabalhar. Pra falar a verdade acordei com o barulho do carro entrando na garagem. Ele falou que nunca mais inventa de sair sozinho, que morreu de saudade e da próxima vez me levaria junto...
Isso me deixa feliz, claro, mas ao mesmo tempo sinto pena. Não é bom pra ninguém sentir essa dependência. Eu por exemplo, nem liguei ontem pra ele justamente pra lhe dar um tempo de mim, judiei tanto no final de semana que achei que ele merecia umas férias. Preferi não perturbar. Mas ledo engano. Ele não consegue ser independente assim.
Confesso que ontem me senti bem sozinha. Pude fazer minhas coisas, lavar minhas roupas, ajeitar a casa, lavar a louça, limpar o chão. Coisas que não consigo fazer quando ele está em casa. Me cobra atenção, presença... ainda tenho vícios de solteira. O pensamento de fazer tudo sozinha, contar somente comigo mesma. Estou reaprendendo a administrar minha vida agora com mais um elemento, o casamento.
Nisso fiquei pensando sobre o amor... será que eu amo o Kin ou só tenho um sentimento de posse? Que ciúme é esse que me faz tão mal? Que ciúme doentio, apesar de saber que minha vida sem ele também é feliz?
Será que o que eu sinto pelo Kin é amor ou é meu ego?
Hoje faz 5 meses que conheço o Kin e 4 meses que moramos juntos. Está dando certo.
Hoje ele está indo pra praia com seu sobrinho. Quem sabe reverte aquela cara de tédio e pára de ser tão carente. Isso me sufoca um pouco... poderei curtir minha filha hoje e amanhã!
Homem dá um trabalho...
Dessa vez, ao invés da cólica o que antecedeu o mês foi uma enxurrada de mal humor que não perdoou o Kin. Passei o final de semana inteirinho atormentando o coitado. Se ele tinha algum pecado pagou nesse fimdi. Reconheço que ninguém merece. Isso prova que ele realmente gosta de mim.
Peguei no pé dele por ficar secando a televisão na minha frente. Mas isso já tinha avisado por diversas vezes que achava falta de respeito. Se acha a mulher bonita, tudo bem, mas precisa ficar me falando? Disfarça pelo menos, né?
Depois briguei porque sua família me cobrou a falta no aniversário da sobrinha dele (ele não assumiu que não queria ir, falou que foi por minha causa! Imagina a minha cara!)
Também briguei porque ele emprestou o carro pra irmã dele. Carta nova. O carro não tem seguro. Ela deve 40 reais pro Kin e não consegue pagar. Por enquanto pagamos 4/60 parcelas do carro. Sei lá, se acontece alguma coisa com o carro duvido que alguém vá pagar alguma coisa..., vai sobrar pra mim. Nem eu uso o carro por medo de acontecer alguma coisa...
Saldo do final de semana: deveria ter ido trabalhar no inventário aqui da empresa...
Ah, e desceu ontem a noite. Estranhei a falta de cólica...
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